Metodologia

A Metodologia utilizada em nossa Associação Fraternidade é o TRATAMENTO COMUNITÁRIO

 Introdução

O tratamento comunitário é um método de trabalho com pessoas, grupos, comunidades e redes que vivem em contextos de alta vulnerabilidade. Essa proposta é composta de cinco eixos articulados entre si. Sua finalidade é de melhorar as condições de vida das pessoas, dos grupos e das comunidades. Seu foco no tema de drogas (redução da demanda) respeita a história desta proposta que além de tudo, vai dirigido às situações de sofrimento social das pessoas, dos grupos e das comunidades em condição de alta vulnerabilidade nos âmbitos de educação, trabalho, direitos, laços familiares, de grupo, nas comunidades de vida e com as instituições, moradia, alimentação, segurança, legalidade, saúde, etc.

Os elementos conceptuais.

Entre os elementos conceptuais do tratamento comunitário encontram-se os seguintes: o tema da comunidade (entendida como um sistema aberto de redes que anima, organiza e dá vida e sentido a um território); o tema do sofrimento social (produzido pelos relacionamentos no interior do sistema de redes); da inclusão/inserção/ integração social; o tema das redes, das representações sociais, da exclusão social, da desigualdade, dos direitos humanos fundamentais, da investigação na ação, da ação social, das minorias ativas, do capital social, do umbral de acesso, da complexidade nos serviços, das políticas públicas na área da redução da demanda de drogas e dos processos de exclusão social.

Eixos, processos, estruturas do tratamento comunitário

Eixos do Tratamento Comunitário

  • Prevenção e Organização
  • Assistência Básica / Redução de dano
  • Educação e Reabilitação
  • Cura Médica e Psicológica
  • Ocupação e Trabalho

Processos do Tratamento Comunitário

  • Ações de Vinculo
  • SET – Sistema Estratégico de Tratamento

Estruturas do Tratamento Comunitário

  • Os territórios Comunitários
  • Os Serviços Naturais
  • Os Recursos dos atores privados
  • Os Centros de baixo umbral e baixa complexidade
  • Os centros de baixo umbral e média complexidade
  • Os centros de baixo umbral e alta complexidade.

 

Eixos do Tratamento Comunitário

Prevenção e  Organização

Objetivo

Fortalecer quando existe, criar e organizar (quando não existe) o dispositivo para o tratamento comunitário (TC).

Descrição

No contexto do tratamento comunitário (TC) as atividades de prevenção incluem a prevenção universal, seletiva e indicada e também descrita na bibliografia e implementada nas práticas mais reconhecidas. Porém, o objetivo principal da prevenção no marco comunitário é criar os dispositivos (as redes) necessários para poder implementar o tratamento comunitário (TC): as redes subjetivas comunitárias (RSC) (pessoas com as quais os membros da equipe tem relações de amizade e relações entre eles), as redes operativas (RO) (Nós das RSC que participam com a equipe na implementação de ações e processos de TC e as relações entre eles), as redes de líderes de opinião  (RLO) (entidade composta pelos líderes de opinião formais e não formais de uma comunidade e das relações entre eles). E as minorias ativas (redes com um alto gráu de densidade nas relações entre seus membros, focadas na melhoria das condições de vida da comunidade).

Neste contexto as atividades de prevenção (universal, seletiva e indicada) são consideradas em dois pontos de vista (objetivos). O primeiro é o ponto de vista táctico: atingir os objetivos conhecidos da prevenção. O segundo ponto de vista é estratégico: favorecer a construção do dispositivo de tratamento comunitário.

Resultados esperados

Que sejam constituídas na comunidade as redes subjetivas comunitárias da equipe, a rede operativa, a rede de recursos comunitários, a rede de lideres de opinião.

 

Assistência básica – Redução de Dano

Objetivo

Reduzir as consequências negativas do consumo de drogas e de outras formas de exclusão (pobreza, falta de serviços básicos, etc.) e melhorar as condições de vida de pessoas, grupos e comunidades.

Descrição

A assistência básica e a redução de dano focam-se nos direitos fundamentais das pessoas, dos grupos e das comunidades em situação de exclusão grave. É verdade que na área de drogas adotam formas (serviços e processos) conhecidas (entrega de material para uso seguro de drogas, para sexo com segurança, tratamentos substitutos quando precisar), é verdade também que sua finalidade é implementar ações sociais focadas a diminuir o impacto ou as consequências do sofrimento social: ações para reduzir o impacto da pobreza, da falta de educação, da legalidade e justiça, de trabalho, moradia, alimentação, higiene, apoio relacional, apoio na área de saúde.

 

 

É característico do tratamento comunitário o fato que estas ações são pensadas, planejadas e implementadas por meio das redes que tem se constituído (o dispositivo) nas quais estão inclusos os atores que são “parceiros” (beneficiários diretos) destas ações.

Resultados esperados

Os resultados esperados são de dois tipos: tácticos e estratégicos. Resultados tácticos: redução do impacto nocivo nas seguintes dimensões: legalidade, droga, moradia, higiene, segurança pessoal, trabalho, vida sexual, educação, alimentação, família, condição psicológica, consumo de álcool.

Resultados estratégicos: melhoria na participação dos atores comunitários (incremento na amplitude, densidade, conectividade, intermediação, etc.) nas redes (RSC, RO, RLO, RRC, MA). Continuidade (tempo) na relação com as pessoas vinculadas nas redes.

 

Educação  e reabilitação

Objetivo

Melhorar os conhecimentos e as competências da comunidade e das pessoas vinculadas com formas de sofrimento social nas seguintes dimensões: legalidade, droga, moradia, higiene, segurança pessoal, trabalho, vida sexual, educação, alimentação, família, condição psicológica, consumo de álcool.

Descrição

Este eixo é preciso para que as formas de assistência básica e redução de dano não virem assistencialismo e novas formas de dependência e injustiça (como por exemplo o tratamento obrigatório da dependência de drogas). As ações e os processos nesta área incluem: processos educativos não formais (por meio do trabalho de rua a nível individual ou grupal), ou formais (cursos, oficinas, seminários, etc.) finalizados à alfabetização, educação digital, recuperação do ciclo escolar, à melhoria das competências relacionais (competências sociais), das competências no trabalho (competências ocupacionais) e nas áreas indicadas no objetivo. Os temas de direitos humanos, de sensibilização de gênero, de relações com os recursos comunitários (formais e não formais, institucionais e do setor privado), de mediação dos conflitos comunitários e de diminuição dos impactos dos processos de exclusão são centrais neste eixo.

As atividades culturais (cinema, teatro, fotografia, literatura, poesia, dança, música, pintura, recreativas, jogos e esportes) são  elementos centrais da metodologia de trabalho.

A participação das redes que constituem o dispositivo é uma das características do tratamento comunitário.

Resultados esperados

Os resultados táticos são os seguintes: são incrementados os conhecimentos e as competências nas áreas indicadas no objetivo: legalidade, droga, moradia, higiene, segurança pessoal, trabalho, vida sexual, educação, alimentação, família, condição psicológica, consumo de álcool.

 

Resultados estratégicos: melhoria da participação dos atores comunitários (incremento na amplitude, densidade, conectividade, intermediação, etc.) nas redes (RSC, RO, RLO, RRC, MA). Continuidade (tempo) na relação com as pessoas vinculadas nas redes.

 

Cura médica e psicológica

Objetivo

Reduzir as consequências nocivas da exclusão grave associada com o consumo de drogas na área da saúde (mental e física).

Descrição

As condições de exclusão grave associadas com o consumo de drogas (e vice versa) podem produzir consequências nocivas a nível físico (infecções, hepatite, desnutrição grave, etc.). O trabalho com as pessoas que sofrem estas condições se desenvolvem por meio da prática médica e psicoterapêutica conhecida (a nível individual, familiar, de grupo e de redes) em contextos formais (quando possível) e sobre tudo em contextos (dispositivos) não formais (ruas, centros de baixo umbral, famílias, lares, etc.). As atividades neste eixo se interconectam com as atividades de assistência básica e redução de dano e com as atividades de educação e reabilitação. Neste sentido a cura médica e psicológica é uma tarefa de toda a equipe e de toda a rede operacional.

O elemento inovador neste eixo é a implementação de ações psicoterapêuticas em dispositivos não formais (ruas, lares, etc.). a participação das redes que constituem o dispositivo do TC é fundamental.

Resultados esperados

Resultados táticos: redução do número de pessoas que não recebem atenção, melhoria das condições de saúde mental e física.

Resultados estratégicos: melhoria da participação dos atores comunitários (incremento na amplitude, densidade, conectividade, intermediação, etc.) nas redes (RSC, RO, RLO, RRC, MA). Continuidade (tempo) na relação com as pessoas vinculadas nas redes. O dispositivo comunitário melhora suas competências na implementação de atividades neste eixo.

 

Ocupação e trabalho

Objetivo

Melhorar o nível de autonomia, as competências e as condições laborais da comunidade e das pessoas, famílias, grupos, redes vinculadas com situações de sofrimento social (legalidade, droga, moradia, higiene, segurança pessoal, trabalho, vida sexual, educação, alimentação, família, condição psicológica, consumo de álcool).

Descrição

A autonomia das pessoas é fortemente enriquecida pela sua capacidade (individualmente, como famílias, grupos ou redes) em providenciar suas necessidades  de maneira lícita. O eixo de ocupação e trabalho se implementa por meio de atividades e processos formais e não formais de capacitação para o trabalho, práticas em lugares de trabalho, bolsas de trabalho, inserção em atividades produtivas, desenvolvimento de microempresas e atividades produtivas a nível individual, de grupo, família e redes. A experiência demonstrou que pessoas em alto estado de vulnerabilidade (como resultado de consumo problemático de drogas e de condições de alta exclusão) necessitam também de um apoio psicológico e relacional durante o processo de inserção e permanência no trabalho. Este apoio é garantido por meio da continuidade do tratamento comunitário nos outros eixos.

Resultados esperados

Resultados táticos: a capacidade das pessoas, famílias, grupos, redes em permanecer em atividades produtivas lícitas ou ocupacionais (escola) é incrementada.

Resultados estratégicos: melhoria da participação dos atores comunitários (incremento na amplitude, densidade, conectividade, intermediação, etc.) nas redes (RSC, RO, RLO, RRC, MA). Continuidade (tempo) na relação com as pessoas vinculadas nas redes. Melhoria no respeito dos direitos básicos fundamentais, da justiça e da equidade.

 As ações de Vínculo

Objetivo

Produzir, fortalecer, manter a participação comunitária por meio de suas redes.

Descrição

Estas atividades podem se incluir nas atividades mencionadas nos cinco eixos. Se mencionam algumas que tem um particular impacto nesta área: festas populares, civis e religiosas, acontecimentos culturais abertos com teatro de rua, música, dança para promover e sensibilizar em temas específicos: gênero, direitos humanos, direitos de populações específicas.

Entre aquelas que o tratamento comunitário tem desenvolvido: a construção de redes, a terapia de rede, a construção de formas organizadas na vida social (organizações, associações, grupos formais, grupos de auto ajuda).

Resultados esperados

Neste caso trata-se unicamente de um resultado de tipo estratégico: melhoria da participação dos atores comunitários (incremento em amplitude, densidade, conectividade, intermediação, etc.) nas redes (RSC, RO, RLO, RRC, MA). Continuidade (tempo) na relação com as pessoas vinculadas nas redes.

O tratamento da comunidade (SET – SISTEMA ESTRATÉGICO DE TRATAMENTO)

Introdução

É possível trabalhar com a comunidade entendendo-a como um sujeito de tratamento? Considerar a comunidade como sujeito de tratamento significa ter uma abordagem metodológica dirigida especificamente à comunidade (da mesma maneira que existem na prática social abordagens dirigidas a indivíduos, familiares e grupos). O SET (Sistema Estratégico de Tratamento) tem a finalidade de construir um marco lógico para o diagnóstico comunitário baseado na mais alta participação possível de atores comunitários. Sucessivamente a prática do tratamento comunitário evidenciou como este mesmo processo pode ser muito eficaz especificamente em alguns momentos:

  • O diagnóstico participativo
  • A construção de redes e do dispositivo comunitário
  • A terapia de redes
  • O estudo e a transformação das representações sociais

Objetivo

Reduzir o impacto nocivo dos processos de exclusão social, melhorar as capacidades de inclusão social.

Descrição

O tratamento da comunidade é implementado por meio de um processo que inicia com a construção do dispositivo (prevenção e organização). Com o diagnóstico (comunitário) e com a implementação das atividades nos outros 4 eixos.

Aquele que é especificamente dirigido à comunidade como sujeito de tratamento são os processos de SET. Trata-se de nove micro-processos.

Identificação da comunidade por parte de seus líderes de opinião (1)

A construção e a elaboração conjunta da representação social da comunidade produzida por seus lideres de opinião é um exercício cognitivo (diagnóstico) e relacional (criação de interconexões) que favorece por um lado os conhecimentos da comunidade e seus atores, e permite modificar (neste sentido pode se falar de tratamento de rede) as relações na rede de lideres dessa comunidade. Simultaneamente se constrói o dispositivo, se modificam as relações, se produz conhecimento.

Estudo dos projetos anteriormente desenvolvidos ou em fase de implementação (2)

A história dos atores, dos resultados, as lições aprendidas por meio das experiências espontâneas, não formais, formais e institucionais que trataram de melhorar as condições de vida da comunidade é fundamental para aprender do passado, fortalecer aqueles que deram resultados, mudar o que for preciso mudar, inovar onde precisa.

Análise dos fracassos dos projetos e das boas práticas (3)

Entender as lógicas que fazem fracassar os projetos e as ações e como estas articulam-se também com as dinâmicas de poder dentro das comunidades, com as resistências, com a força da persistência e com o desprezo da mudança é fundamental para facilitar a participação ativa de todos na construção e na implementação das ações.

Breve história da comunidade (4)

As comunidades são como as pessoas, tem histórias. Estas histórias contribuem em parte para condicionar e determinar seu presente e seu futuro. Conhecer estas historias é importante para conhecer as raízes dos atores comunitários, as origens dos processos de construção da comunidade, da suas representações sociais, de seus mitos e ritos, da sua vida política.

 

Elementos sociológicos (antropológicos e etnográficos) (5)

Trata-se aqui de todo o acervo de conhecimento formal da comunidade: território e suas características, serviços existentes e faltantes, características demográficas, arquitetura urbana. Paralelamente situa-se resultados de estudos antropológicos e etnográficos, ou seja o estudo da cultura comunitária e das formas nas quais essa cultura se manifesta.

Identificação dos temas geradores (6)

O ponto central relacionado com os temas geradores é responder à pergunta: do que falam as pessoas? Qual é o conteúdo dos diálogos e discursos da vida comunitária: desejos, preocupações, queixas, propostas, comentários e ideias. Os temas geradores são subdivididos em dois grupos: os espontâneos, propostos diretamente pelos atores comunitários e os induzidos (aqueles que são propostos pela equipe e/ou a rede operativa). No trabalho com temas geradores tem uma finalidade cognitiva (saber) e uma finalidade de transformação: modificar linguagens, modalidades representativas e expressivas, etc.

Elementos eestratégias de ancoragem e objetivação (7)

Modificar as representações sociais é o objeto central da prevenção (em seu sentido clássico) da educação/reabilitação e da cura psicológica no marco do tratamento comunitário (eixos 1, 3 e 4). Ancoragem e objetivação são os dois processos que favorecem a construção e por consequência também a mudança das representações sociais. Sua modificação é necessária sobre tudo porque as representações sociais são causa-consequência-causa de exclusão. Podem ser também de inclusão.

Mitos e formas rituais (8)

Os temas geradores fundamentais em uma comunidade (nascimento e morte, saúde e doença, força, violência, justiça, conflito, droga, álcool, pobreza, vitima, rua, gangues, etc.) tem seus mitos (com seus personagens e seus modelos exemplares) e seus ritos. Estes mitos e ritos conformam grande parte do pensamento e da vida cotidiana das comunidades (se pense ao mito da gangue e aos rituais que todos em uma comunidade tem que respeitar). Entender estes mitos e ritos permite criar consciência, modificar representações sociais, criar novos mitos e formas rituais.

Identificação dos conflitos de base no interior da comunidade (9)

Um conflito pode ser entendido como um processo no qual dois ou mais atores encontram-se em oposição mutua ou são incompatíveis. Dito de outra maneira um conflito é um processo de construção de oposições e incompatibilidades. Entender a lógica dos conflitos, de como estes persistem, mudam, se reproduzem ou encontram respostas é fundamental. Segundo os iniciadores do trabalho de redes os conflitos são a fonte das dinâmicas comunitárias, as que permitem as mudanças… as vezes catastróficos também, as vezes construtivos.

Metodologia de trabalho.

Com quem e como se trabalham os processos do SET? Os atores/participantes são (i) as redes (RSC, RO, RLO, RRC, MA), (ii) toda a população que deseja participar. As modalidades de trabalho são as mais variadas: oficinas, seminários, grupos de discussão, grupos focais, assembleias, debates, encontros com especialistas, jogos de papéis, teatro, música, pesquisas comunitárias,  trabalho de rua, visitas domiciliares, cartografia social ou ecológica… e todas aquelas formas que a criatividade dos atores comunitários sugere.

As estruturas do Tratamento Comunitário

Onde acontece o tratamento comunitário? Quais são os lugares ou as estruturas do tratamento comunitário? O tratamento comunitário busca atingir o nível de acesso mais alto possível e por consequência busca caracterizar-se pelo umbral de acesso mais baixo possível.  O tratamento comunitário tem seus lugares específicos, isso não significa que não se integre na rede de recursos comunitários não formais e formais: há outros atores trabalhando, outras instituições todos no marco de uma coerente política pública.

Os Territórios comunitários

As praças, as esquinas das ruas, as ruas, os lugares de esporte são lugares de encontro e participação comunitária, são lugares de todos (neste sentido são públicos). Estes lugares são o primeiro recurso do tratamento comunitário: ali acontecem os primeiros contatos, ali se dão ações de prevenção/organização, de assistência básica e redução de dano, de educação, de cura medica e psicológica e de capacitação para o trabalho. São o lugar principal porque é de todos, porque ali esta o “povo” e ali pode se encontrá-lo.

Os serviços “naturais”.

Os bares, os restaurantes, os postos de combustível, os comércios estabelecidos formais e não formais são de fato “serviços básicos na e da comunidade”, existem para responder a necessidades comunitárias. Cada um desses serviços pode ser um ator na rede de recursos comunitários implementado ações ou processos incluídos no tratamento comunitário: prevenção universal, seletiva e indicada, informação, derivações, inserção no trabalho, etc. cada um destes serviços tem sua estratégia de enraizamento no território e da gestão das relações com seus “clientes”.

Os recursos dos atores privados

Casas dos habitantes da comunidade, lugares nos quais as pessoas possam reunir-se, trabalhar, lugares nos quais habitantes que o precisem possam encontrar serviços de higiene, comida, albergue, etc. as formas de participação da comunidade são infinitas.

Centros de baixo umbral e baixa complexidade

Os centros de escuta comunitários e os drop in centre são duas formas de serviços/lugares de umbral e complexidade muito baixo. São ao mesmo tempo lugares de encontro e de serviços (alimentação, higiene, segurança, vida de grupo, construção de redes, saúde, educação, etc.). entre suas características encontram-se a proximidade em relação às pessoas que o necessitam, a baixa estruturação de suas atividades e o acesso livre: sem horários (além de aqueles de abertura e clausura, não é preciso agendar).

Centros de baixo umbral e media complexidade

Encontram-se neste grupo serviços com um certo nível de complexidade (equipes com figuras profissionais diferentes) que permitem por exemplo administração de tratamentos substitutos, auxilio medico básico, atenção profissional a crises psicológicas ou relacionais, etc. O nível de complexidade pode crescer até não ter conflitos com a necessidade do umbral de acesso mais baixo possível.

Centros de baixo umbral e alta complexidade.

São lugares/serviços nos quais o nível de organização das atividades é muito estruturado e as pessoas que desejam participar tem que respeitá-lo (a participação porém não é obrigatória). Encontram-se ali equipe com figuras profissionais diferentes, com horários de trabalho, regras de participação e exclusão, etc. (uma comunidade educativa de dia).

 

a AvalIaÇÃO dO tratamento ComunitÁrio

A avaliação do tratamento comunitário foca-se nos resultados esperados que possam ser entendidos também como seus produtos. Temos dois tipos de produtos ou resultados esperados: os técnicos e os estratégicos.

Os produtos técnicos consistem na redução do impacto negativo das condições de exclusão social nas áreas indicadas e a melhoria das condições de vida. Estes produtos são visualizados por meio da avaliação de casos realizada por meio da Folha de Primeiro Contato (HPC), do formato de seguimento de Processos Individuais em Comunidades Locais (SPICL) e do questionário de Avaliação do Tratamento Comunitário (CBT EvQuest).

Os produtos estratégicos consistem nos dispositivos do tratamento comunitário efetivamente implementados. Eles são: a equipe, as redes subjetivas comunitárias, as redes operativas, as redes de recursos comunitários, as redes de líderes de opinião e as minorias ativas. Estes produtos são visualizados e avaliados por meio dos instrumentos clássicos do Social Network Analysis.

 

Conclusão

O tratamento comunitário é uma proposta que tem objetivos técnicos e estratégicos. Do ponto de vista técnico, busca atingir os objetivos de cada um do seus eixos, processos e serviços. Do ponto de vista estratégico se inspira a processos de baixo para cima com o propósito de construir cenários que facilitem o encontro com processos de cima para baixo. Entre seus pontos de força encontram-se o respeito dos direitos humanos fundamentais, a busca de qualidade profissional a produção de evidências científicas junto com a investigação qualitativa, a busca de articulação com as políticas públicas.