História

HISTÓRIA DA ASSOCIAÇÃO FRATERNIDADE

            Em agosto de 2000, Rita de Cássia Furtado Lisbôa tinha saído do Convento. Por 14 anos dedicou-se à Vida Contemplativa em Mosteiros Católicos Contemplativos no Brasil, Argentina e França. Veio para Teresina (Piauí), pois nesta Cidade vivia sua mãe. Rapidamente envolveu-se novamente em atividades religiosas numa Capela Franciscana, formando grupos com crianças de várias idades e adultos.  Logo sensibilizou-se com a situação de pessoas em sofrimento social pelo consumo abusivo de drogas. Passou alguns anos encaminhando os que queriam para Centros de Recuperação e acompanhava suas famílias. Em 2004, após participar de Grupos de Auto ajuda, Formações na Área de Drogas, teve o desejo de iniciar uma Organização Social para cuidar das pessoas consumidoras de drogas e de seus familiares. Reuniu alguns familiares e pessoas amigas com quem foi planejando e escrevendo ideias, sugestões, estratégias até que em 2007, no dia 29 de agosto, formalizaram através de uma Assembleia, a Fundação da Fraternidade Terapêutica O Amor é a Resposta, com CNPJ 09.398.193/0001-55. O nome foi inspirado num Reagge bem famoso da época: Love is the answer.

Já em 2007, Rita Lisbôa acolheu em sua casa 3 pessoas do sexo masculino que pediram ajuda para melhorar suas vidas, interrompendo o consumo de drogas. Um amigo, que no ano seguinte tornou-se seu companheiro e esposo, Mantovani Lopes de Oliveira, se revezava no cuidado destes jovens, acompanhando-os nas diversas atividades diárias: oração, caminhada, alimentação, trabalho, reuniões em grupos de auto e mútua ajuda, conversas, passeios, escola, igreja. Nesta época começamos a ter assento no Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas. Após 9 meses, não foi possível manter o aluguel da casa e passou-se a fazer um atendimento em regime aberto numa sala da Paróquia de São Raimundo Nonato, Bairro Piçarra. As pessoas vinham para o atendimento pela manhã e aí se fazia um plano de ação para o turno da tarde e noite. Uma vez por semana tinha reunião com os familiares. Aí neste espaço já foi possível contar com o apoio de um Terapeuta Naturalista que fazia acupuntura e de uma Psicóloga Voluntária que atendia individualmente. Esta modalidade de atendimento semi aberto em espaço da Paróquia prolongou-se por um ano.  No ano seguinte, em 2009, já morando juntos, Rita e Mantovani se importaram com alguns problemas comunitários e resolveram fazer algo para modificar realidades, bem conscientes de que o que podiam fazer era muito pouco, mas era importante e poderia ter algum impacto. Iniciaram acolhendo crianças e adolescentes em sua casa para realizar atividades educativas, na esperança de que estes momentos preparassem estas crianças para um futuro melhor do que a realidade que seus pais e demais familiares estavam vivenciando, por causa da baixa autoestima, desemprego, falta de oportunidades de acesso à cultura, lazer, educação, saúde, assistência social, segurança e outras vulnerabilidades sociais, consequências de processos sistemáticos de exclusão social, inclusive o consumo e tráfico de drogas. Durante os anos de 2009 até 2011 as atividades foram incansavelmente direcionadas às crianças e adolescentes, numa perspectiva de “chegar antes das drogas” para que as crianças não seguissem no mesmo processo iniciado por grande parte de seus pais, avós, tios, etc. Nossa meta ousada neste momento foi de romper o ciclo e apresentar para estas crianças uma nova realidade POSSÍVEL: ELAS PODEM E DEVEM ESCOLHER UMA VIDA MELHOR. Os grupos foram aumentando. Uma moradora voluntária que era jogadora amador de futebol começou a contribuir, formando uma Escolinha de Futbal, quis contribuir voluntariamente. Fizemos muitas Ações Comunitárias de Mobilização: Mutirão de Limpeza, Show de Talentos, Festa Junina, Festa das Crianças, Natal para as Crianças e etc. Foi um tempo suficiente para conhecer e ser conhecidos na Comunidade e, a partir desta relação forte foi possível realizar muitas intervenções para ir melhorando a vida das pessoas.

Em 2011 tínhamos uma excelente equipe, formada por lideranças comunitárias, pessoas jovens e adultas e Rita estava estudando Psicologia. Acreditamos que já tínhamos construído um excelente vínculo com  a Comunidade e, então, nos lançamos na busca das pessoas vulnerabilizadas pelo Consumo de Drogas. As crianças foram como uma “ponte” para que chegássemos através deles, pois já nos tinham como uma referência de cuidados com seus filhos que participavam de encontros educativos, futsal, voleibol, festas e passeios.

Foi então o momento de conhecer melhor a Rede de Atenção e Cuidado do Município e Estado, pois no contato com os usuários de drogas foram surgindo muitas demandas de saúde, educação, cidadania, documentos, etc. Foi um período muito rico, pois fizemos várias parcerias com Instituições Governamentais e Não Governamentais. Assim nosso trabalho e atuação na Comunidade foi se solidificando e nossa Instituição foi ficando conhecida.

No período de 2009 a 2014 participamos de várias Capacitações no Brasil e em outros países da América Latina, com Associações que trabalham com a mesma metodologia do Tratamento Comunitário. Viajamos para São Paulo várias vezes, para o Rio de Janeiro, Brasília, Chile, Colômbia, Peru, México, Honduras, Panamá, Costa Rica e Argentina.

Nestas viagens, a Cáritas Alemã,  órgão financiador internacional tomou conhecimento do nosso trabalho e quis conhecer mais de perto. Acreditou em nós e financiou um Projeto de Implantação de um Centro de Escuta para atender pessoas consumidoras problemáticas de drogas. Com este financiamento nossa Instituição pode se estruturar no sentido de contratar pessoal, comprar equipamentos, comprar alimentos, itens de consumo e expediente, seguir processo de capacitação. Pessoas que prestavam serviços voluntários há 7 anos, foram contratados e agora passaram a receber pagamento. Isso foi muito positivo e também um desafio, já que as relações se modificam quando se  formalizam.

Em 2014, com este financiamento da Cáritas, foi possível alugar uma Casa para acolher as pessoas usuárias de drogas e seus familiares. Os programas para crianças e adolescentes seguiram funcionando em nossa casa. Somente a partir de 2015 todas as atividades se concentraram, com horários diferentes, no Espaço Comunitário O AMOR É A RESPOSTA, cedido pelo Governo do Estado do Piauí, cujas fotos estão em anexo. Alguns esportes são praticados na Quadra de Esportes de uma Escola do Bairro ou em Espaços Públicos, como o Parque da Cidadania e outros.

Em 2015 ganhamos um excelente Parceiro que foi o Rotary Club Teresina Piçarra. Eles nos brindaram com a reforma da Sala Digital, equipando-a totalmente. Em 2016 reformaram o Bazar Comunitário. E no ano de 2017 fizeram uma compra no valor de 3.000,00 de equipamentos para uma Mini-Marcenaria, que neste ano será incrementada, com a oferta de Cursos com possibilidade de Cooperativa.

Em 2016 conseguimos um Financiamento Estadual gestionado pela CENDROGAS – Coordenadoria Estadual de Enfrentamento às Drogas para o Projeto Viver Mais que contemplou Treinos de Judô e Skate e Oficinas de Grafite. Este Projeto foi renovado em 2017, contemplando novamente Judô e Skate e Basquete.

Em 2017 fomos contemplados com o Programa MESA BRASIL, do SESC aqui do nosso Estado. Quinzenalmente recebemos Doações de Alimentos que são ofertados ao SESC pelos grandes Supermercados. Com estes alimentos, oferecemos uma Sopa semanalmente na Comunidade e às 6as. Feiras almoço para pessoas em situação de rua e de consumo abusivo de drogas aqui na Instituição.

Agora no ano de 2018, em Abril, concluímos o Projeto da Cáritas e fomos contemplados com o Aditamento do  Projeto Viver Mais da Cendrogas e por isso nos lançamos a buscar novos Recursos para seguir o trabalho iniciado não precisando quebrar o ritmo que conquistamos para as crianças e adolescentes do Bairro.

Estamos muito felizes com o desenvolvimento de nossa Organização e acreditamos que a Sociedade Civil deve mobilizar-se para o enfrentamento da Exclusão Social. Estamos conscientemente fazendo nossa parte para conquistar uma Comunidade segura, protegida, feliz, com esperança de melhorar sempre mais.

Atualmente  a Fraternidade, Associação com fins não econômicos, fundada em 2007, tem como finalidade principal: Realizar intervenções comunitárias estratégicas para melhorar as condições de vida dos moradores da Vila Ferroviária e Conjunto Murilo Resende, bairro Ilhotas, Zona Centro Sul de Teresina, Piauí, Brasil.  Para tal utiliza, desde finais de 2008, a Metodologia  do Tratamento Comunitário, que por sua vez  é um método de trabalho com pessoas, grupos, comunidades e redes que vivem em contextos de alta vulnerabilidade. Essa proposta está composta de cinco eixos articulados entre si (Prevenção/Assistência Básica/Educação/Terapias/Trabalho). Sua finalidade é de melhorar as condições de vida das pessoas, dos grupos e das comunidades. Seu foco no tema de drogas (redução da demanda) respeita a história desta proposta que além de tudo, vai dirigido às situações de sofrimento social das pessoas, dos grupos e das comunidades em condição de alta vulnerabilidade nos âmbitos de educação, trabalho, direitos, laços familiares, de grupo, nas comunidades de vida e com as instituições, moradia, alimentação, segurança, legalidade, saúde, etc. Assim, a proposta é de atuar junto à Comunidade, na Comunidade, com a Comunidade  como um todo e não exclusivamente com consumidores problemáticos de drogas.

A Instituição Fraternidade trabalha com 3 Núcleos de atuação: O Núcleo de Cuidado com Crianças e Adolescentes que atualmente contém 7 Programas: Futsal,  Sementinhas (Crianças de 4 a 8 anos), Viver eu quero Viver (Crianças de 9 a 12 anos), Skate, Teatro, Judô, Dança e Grafite; o Núcleo de Escuta Comunitária que consiste no atendimento às demandas de Adultos em Geral e da manutenção  de um Centro de Escuta para consumidores problemáticos de Drogas  que funciona 2ª., 4ª. e 6ª. pela manhã, de 8h às 14h, e o Núcleo de Formação e Capacitação, que busca parcerias para realização de Cursos Profissionalizantes e Oficinas de Geração de Renda e Sustentabilidade Institucional e outros para a Comunidade em geral. Estes 3 Núcleos estão ligados ao Núcleo Central de Tratamento Comunitário.

A Fraternidade possui em seu Banco de Dados 745 pessoas cadastradas e acompanhadas pelos diversos núcleos e atinge indiretamente a Comunidade como um todo num total de 1.300 pessoas, 284 famílias, através de suas Ações de Vinculação: Caminhada pela Paz, Show de Talentos, Mutirões de Limpeza, Sopa da Comunidade,   Bazar Comunitário, Comemorações do Dia das Mães,  Dia da Mulher, das Crianças, Festas Juninas e Carnaval  e Natal.

 

NOSSO TERRITÓRIO, NOSSA  COMUNIDADE

A Vila Ferroviária é uma localidade do Bairro Ilhotas, caracterizada por um alto índice de desemprego, tráfico e consumo de drogas, homicídios, cujos 1.300 habitantes são 284 famílias de baixa renda e escolaridade, em situação de extrema exclusão, vulnerabilidades e riscos sociais.

Os jovens, que compreendem 40% da população, conforme dados estatísticos recolhidos com a Agente Comunitária de Saúde nos Cadastros do Programa Saúde da Família do Bairro, em sua maioria estão excluídos dos bens e serviços oferecidos à população e passam muito tempo na rua, ociosos, sem opções de áreas de lazer, esporte, cultura e outras atividades de proteção e segurança.

Diante desta situação, intrinsecamente ligada a um processo sistemático de exclusão social, provocado pelo próprio sistema capitalista que impera em nossa sociedade, percebe-se os jovens desanimados, com baixa auto estima, desorientados, se isolando do convívio familiar e social, iniciando consumo e venda de drogas, sem perspectivas de vida.

Há na região alguns projetos sociais direcionados ao público infanto-juvenil, como o “Educar pela Cidadania” coordenado por uma religiosa da Igreja Católica, Irmã Arli Nojosa, Franciscana,  que atende 70 crianças e adolescentes e tem como objetivo desenvolver ações complementares com  público desta faixa etária que se encontra em situação de vulnerabilidades em vista de prevenir a violência e abuso de drogas  e o “Pelotão Mirim” que atende 100 crianças e adolescentes de vários bairros  e tem como objetivo promover cidadania. Mesmo assim, aumenta cada ano, o número de adolescentes e jovens ingressando no tráfico e iniciando consumo problemático de drogas, pequenos atos infracionários e outras práticas antissociais.

Dessa forma, ações urgentes se fazem necessárias  para  intervir nesta realidade, levando a estes jovens novas oportunidades em espaços saudáveis que promovam cidadania e melhora em sua autoestima e, assim, possamos diminuir o número de adolescentes  e jovens ingressando no tráfico e consumo de drogas nesta região.

Nossa Instituição, a ASSOCIAÇÃO  FRATERNIDADE  pretende  contribuir na construção de uma Cultura de Paz, atuando com a promoção da cidadania e auto estima de pessoas em situação de vulnerabilidade social,  moradores da Vila Ferroviária e atendidos por nós, promovendo atividades esportivas, culturais, lúdicas e educativas.

Desde o final do Ano  de 2016 também pessoas em situação de rua tem buscado apoio em nossa Fraternidade, frequentando o Centro de Escuta às 2ª., 4ª. e 6ª. e pessoas de outros bairros participaram durante todo o ano de 2017  do Curso de Costureiro Industrial do Vestuário  e Curso de Roupas íntimas promovido pelo SENAI.